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  <title>Simple Sample Blog</title>
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  <description>A dummy weblog to show how Beta-Blogger works</description>
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    <title>Este blog está desativado</title>
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    <description><![CDATA[por favor, continue a ler sob<br />
www.novacultura.de
michael
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    <title>A eterna estreia</title>
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    <dc:date>2010-07-30T17:40:00+02:00</dc:date>
    <description><![CDATA[A vida até parece uma festa, mas às vezes ela só começa às duas da matina. É como me sinto, depois de ter passado tanto tempo (digo 47 anos) acalentando um de meus sonhos mais antigos: o de me tornar letrista. Aliás, letrista eu já sou desde meus sete anos de idade, pois me lembro muito bem do que me atiçou a escrever "versos" pela primeira vez numa canção. Eu era guri do Liége Tijuca, o prédio em que morava minha família, e lá tinha um porteiro apelidado "Russo", que era a carniça da anárquica petizada. <br />
<br />
Era um grande cara, o Russo. Adorava criança , principalmente meu irmão Duda, e foi pra ele, Russo, que compus meu primeiro texto musical. Ficou infantilóide, claro, mas fez todos os meus amigos rir. Gostei da felicidade que senti ao vê-los cantando o besteirol do dimenó, e resolvi investir no talento. Dizem que os míopes escrevem muito bem. <br />
<br />
E foi assim que, sete anos depois, subi com o Ick, Marco e Duda no palco do festival de música do Colégio Salesiano - a escola de padres no bairro do Jacaré que me deu melhor base de aprendizado curricular - empunhando uma canção de protesto chamada “Mundo Atual” escrita por mim e musicada pelo Ick. Quem defendeu a música no microfone fomos eu e o mesmo Carlos Henrique, numa época em que eu era tímido feito só uma porta. Como não bebia nem um pinguinho de álcool, nem curtia a acetona que minha mãe usava pras unhas, subi ao tablado num cagaço danado e fomos despejados da final num golpe só. Era em 1976, época de ditadura militar, eu com 14. Vai ver minha letra colocava o regime em xeque, sei lá. <br />
<br />
O melhor da festa foi me certificar mais uma vez do amor que meu pai tinha por mim. Ele, também um tímido, perdeu a estribeira, rodou a baiana na frente do júri, e acusou os jurados em bom tom de estarem a serviço da mais pura marmelada. Cica.<br />
<br />
Voltei triste pra casa pela desclassificação prematura, prematuríssima, e olha que não tinha nenhum Chico Buarque no certame. Fosse assim, voltaria premiado para o lar, pois perder para Chico, sempre foi uma honra. Pergunte ao Vandré.<br />
<br />
Pois bem. O tempo foi passando, passando, e minha paixão imensa pela música foi ganhando proporções quase trágicas. Por um triz não morri duas vezes por ela: a primeira, no dia em que explodiu a bomba no Riocentro. Eu estava lá dentro, claro. Na segunda, ao voltar do Festival de Águas Claras, e capotar com os amigos malucos na fatídica Via Dutra. Xandy, irmão do Ick, estava comigo nas duas ocasiões, e nem desconfia que tem o mesmo orixá que eu.<br />
<br />
Nessa época em que comecei a participar como compositor em alguns parcos festivais, já estava totalmente obcecado pela música,   assistindo milhares de concertos maravilhosos dos músicos mais díspares (entenda por isso de A Barca do Sol a Aniceto do Império, de Mercedes Sosa a The Wailers), e acabei aterrisando no Jornalismo, com tanta informação fermentada no calor dos tempos de juventude. Gostava demais do que lia de Tárik de Souza, de Ana Maria Bahiana e de outros caras da imprensa musical, e percebi em mim também uma fissura por isso. Admirava tanto as boas reportagens deles, as críticas progressistas da ala não-nacionalista, que recortava e guardava com o maior zelo o material histórico que eles produziam. Textos que estão comigo até hoje, de uma época em que não havia internet. Viria a me tornar jornalista só por causa da música.<br />
<br />
Aí fui chegando perto dos vinte. Antes de entrar para a Faculdade de Jornalismo, passei por  uma Faculdade de Letras, com a ilusão de que iria poder me aprofundar nas ciências de nossa língua. Mas quando vi que estava sendo triturado para me tornar um sub-professor de português, caí fora. O que eu poderia fazer com o grego antigo que lecionavam na uni? E o latim, que me soava tão rudimentar? Fóssil é coisa pra arqueólogo, né zé?<br />
Isso tudo escrevendo minhas coisas, ali, calado. Xandy se tornara meu principal parceiro musical, e enquanto minha cabeça ía sendo cultivada da melhor maneira que conseguia, fomos compondo coisas para grupos como o Mariposa da Lua, Avesso, Armitage. Com  Nabby Clifford, músico de Gana que me proporcionou grandes alegrias ao cantar nossas parcerias em arrebatadas sessões no mitológico Circo Voador (e em outros espaços nobres da cultura alternativa), cheguei a fazer minhas primeiras letras de reggae, um gênero que sempre me deixou chapado. Tudo que fazíamos eu e meus parceiros musicais Xandy, Nabby, Ricardo Bottecchia e Beto Braga, nos parecia muito bom, mas nada emplacava, a ponto de alguém vir a gravar nossas músicas. Pra mim não era nada chique ser inédito, ainda que cultivasse a onda underground.<br />
<br />
Quando deu 1991, eu estava começando a ficar com raiva de mim, de ter acreditado tanto nas coisas: no Brasil, na minha profissão de jornalista diplomado, e também no meu talento como letrista.<br />
<br />
A sorte foi que eu tinha uma namorada que gostava de mim, com quem passei a construir planos para o futuro, e que era descendente de alemães. Gisela. A sorte foi que a Alemanha foi com a minha cara. A sorte foi que eu não desisti de nada do que acredito desde o tempo em que fiz os versos bobinhos pro Russo. Vai ver a sorte é que eu sabia o que era o Expressionismo alemão, o Partido Verde, a ocupação de casas como protesto contra a especulação imobiliária. Eu amava e ainda amo Hanna Schygulla e Werner Herzog, ou seja, era um bom rapaz, desses enviesados.<br />
<br />
O fim da seca se dá agora com Daniel Tochtermann, compositor e guitarrista alemão, ao lançar "To Mingle and Mine", um álbum que conta com a participação de um monte de gente que admiro, a começar pelo genial melodista que é o próprio Daniel. Um cara que conheci por causa do livro de poemas que publiquei na Alemanha, o "Certos Insetos" de 1994, e que se revelou com o tempo uma de minhas almas gêmeas mais autônomas (Que assim seja por séculos e séculos). O disco dele tem também Ivan Lins, Clara Sandroni, Marcos Sacramento, Rosanna Tavares, Serjão Loroza dentre outros, que interpretam músicas minhas, de Sérgio Natureza e Antônio Saraiva, num trabalho que realmente me impressiona por tudo que conjuga de criatividade melódica, precisão poética e coletivismo humano. É música brasileira arquitetada por um guitarrista nascido na Suíça, a bem da verdade, mas que sabe muito bem o que vem a ser o Rio de Janeiro, o português falado pelos brasileiros, e todas nossas nuances culturais.<br />
<br />
<img src='media/tomingle_mine.JPG' alt=''><br />
<br />
“To Mingle and Mine” significa  a realização de um um sonho que nunca abandonei nem mesmo no auge da solidão, quando mal sabia me expressar em alemão, e estava à cata dos meus semelhantes nessa Alemanha que poucas afinidades tem com o Brasil, e onde minha língua materna quase não me servia pra nada. <br />
<br />
Depois veio a parceria com outro músico que gosto muito, por tudo que ele tem de introspectivo, de  inclinação existencial: Fred Martins. Pra ele escrevi “Canção Antes da Chuva”, que ainda está inédita em disco, mas que nos promete grande felicidade.<br />
 <br />
"To Mingle and Mine" traz oito letras minhas escritas para Daniel Tochtermann. Tenho um tremendo orgulho do que fiz com esse cara, mas vai ver é a acetona de minha mãe que me sobe às ideias, e aquele brado do meu velho insurrecto, xingando os jurados comprometidos. Não sei o que seria de mim, não fosse essa rejeição deles à minha letra.
Felipe Tadeu
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    <title>A eterna estreia</title>
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    <description><![CDATA[A vida até parece uma festa, mas às vezes ela só começa às duas da matina. É como me sinto, depois de ter passado tanto tempo (digo 47 anos) acalentando um de meus sonhos mais antigos: o de me tornar letrista. Aliás, letrista eu já sou desde meus sete anos de idade, pois me lembro muito bem do que me atiçou a escrever "versos" pela primeira vez numa canção. Eu era guri do Liége Tijuca, o prédio em que morava minha família, e lá tinha um porteiro apelidado "Russo", que era a carniça da anárquica petizada. <br />
<br />
Era um grande cara, o Russo. Adorava criança , principalmente meu irmão Duda, e foi pra ele, Russo, que compus meu primeiro texto musical. Ficou infantilóide, claro, mas fez todos os meus amigos rir. Gostei da felicidade que senti ao vê-los cantando o besteirol do dimenó, e resolvi investir no talento. Dizem que os míopes escrevem muito bem. <br />
<br />
E foi assim que, sete anos depois, subi com o Ick, Marco e Duda no palco do festival de música do Colégio Salesiano - a escola de padres no bairro do Jacaré que me deu melhor base de aprendizado curricular - empunhando uma canção de protesto chamada “Mundo Atual” escrita por mim e musicada pelo Ick. Quem defendeu a música no microfone fomos eu e o mesmo Carlos Henrique, numa época em que eu era tímido feito só uma porta. Como não bebia nem um pinguinho de álcool, nem curtia a acetona que minha mãe usava pras unhas, subi ao tablado num cagaço danado e fomos despejados da final num golpe só. Era em 1976, época de ditadura militar, eu com 14. Vai ver minha letra colocava o regime em xeque, sei lá. <br />
<br />
O melhor da festa foi me certificar mais uma vez do amor que meu pai tinha por mim. Ele, também um tímido, perdeu a estribeira, rodou a baiana na frente do júri, e acusou os jurados em bom tom de estarem a serviço da mais pura marmelada. Cica.<br />
<br />
Voltei triste pra casa pela desclassificação prematura, prematuríssima, e olha que não tinha nenhum Chico Buarque no certame. Fosse assim, voltaria premiado para o lar, pois perder para Chico, sempre foi uma honra. Pergunte ao Vandré.<br />
<br />
Pois bem. O tempo foi passando, passando, e minha paixão imensa pela música foi ganhando proporções quase trágicas. Por um triz não morri duas vezes por ela: a primeira, no dia em que explodiu a bomba no Riocentro. Eu estava lá dentro, claro. Na segunda, ao voltar do Festival de Águas Claras, e capotar com os amigos malucos na fatídica Via Dutra. Xandy, irmão do Ick, estava comigo nas duas ocasiões, e nem desconfia que tem o mesmo orixá que eu.<br />
<br />
Nessa época em que comecei a participar como compositor em alguns parcos festivais, já estava totalmente obcecado pela música,   assistindo milhares de concertos maravilhosos dos músicos mais díspares (entenda por isso de A Barca do Sol a Aniceto do Império, de Mercedes Sosa a The Wailers), e acabei aterrisando no Jornalismo, com tanta informação fermentada no calor dos tempos de juventude. Gostava demais do que lia de Tárik de Souza, de Ana Maria Bahiana e de outros caras da imprensa musical, e percebi em mim também uma fissura por isso. Admirava tanto as boas reportagens deles, as críticas progressistas da ala não-nacionalista, que recortava e guardava com o maior zelo o material histórico que eles produziam. Textos que estão comigo até hoje, de uma época em que não havia internet. Viria a me tornar jornalista só por causa da música.<br />
<br />
Aí fui chegando perto dos vinte. Antes de entrar para a Faculdade de Jornalismo, passei por  uma Faculdade de Letras, com a ilusão de que iria poder me aprofundar nas ciências de nossa língua. Mas quando vi que estava sendo triturado para me tornar um sub-professor de português, caí fora. O que eu poderia fazer com o grego antigo que lecionavam na uni? E o latim, que me soava tão rudimentar? Fóssil é coisa pra arqueólogo, né zé?<br />
Isso tudo escrevendo minhas coisas, ali, calado. Xandy se tornara meu principal parceiro musical, e enquanto minha cabeça ía sendo cultivada da melhor maneira que conseguia, fomos compondo coisas para grupos como o Mariposa da Lua, Avesso, Armitage. Com  Nabby Clifford, músico de Gana que me proporcionou grandes alegrias ao cantar nossas parcerias em arrebatadas sessões no mitológico Circo Voador (e em outros espaços nobres da cultura alternativa), cheguei a fazer minhas primeiras letras de reggae, um gênero que sempre me deixou chapado. Tudo que fazíamos eu e meus parceiros musicais Xandy, Nabby, Ricardo Bottecchia e Beto Braga, nos parecia muito bom, mas nada emplacava, a ponto de alguém vir a gravar nossas músicas. Pra mim não era nada chique ser inédito, ainda que cultivasse a onda underground.<br />
<br />
Quando deu 1991, eu estava começando a ficar com raiva de mim, de ter acreditado tanto nas coisas: no Brasil, na minha profissão de jornalista diplomado, e também no meu talento como letrista.<br />
<br />
A sorte foi que eu tinha uma namorada que gostava de mim, com quem passei a construir planos para o futuro, e que era descendente de alemães. Gisela. A sorte foi que a Alemanha foi com a minha cara. A sorte foi que eu não desisti de nada do que acredito desde o tempo em que fiz os versos bobinhos pro Russo. Vai ver a sorte é que eu sabia o que era o Expressionismo alemão, o Partido Verde, a ocupação de casas como protesto contra a especulação imobiliária. Eu amava e ainda amo Hanna Schygulla e Werner Herzog, ou seja, era um bom rapaz, desses enviesados.<br />
<br />
O fim da seca se dá agora com Daniel Tochtermann, compositor e guitarrista alemão, ao lançar "To Mingle and Mine", um álbum que conta com a participação de um monte de gente que admiro, a começar pelo genial melodista que é o próprio Daniel. Um cara que conheci por causa do livro de poemas que publiquei na Alemanha, o "Certos Insetos" de 1994, e que se revelou com o tempo uma de minhas almas gêmeas mais autônomas (Que assim seja por séculos e séculos). O disco dele tem também Ivan Lins, Clara Sandroni, Marcos Sacramento, Rosanna Tavares, Serjão Loroza dentre outros, que interpretam músicas minhas, de Sérgio Natureza e Antônio Saraiva, num trabalho que realmente me impressiona por tudo que conjuga de criatividade melódica, precisão poética e coletivismo humano. É música brasileira arquitetada por um guitarrista nascido na Suíça, a bem da verdade, mas que sabe muito bem o que vem a ser o Rio de Janeiro, o português falado pelos brasileiros, e todas nossas nuances culturais.<br />
<br />
<img src='media/tomingle_mine.JPG' alt=''><br />
<br />
“To Mingle and Mine” significa  a realização de um um sonho que nunca abandonei nem mesmo no auge da solidão, quando mal sabia me expressar em alemão, e estava à cata dos meus semelhantes nessa Alemanha que poucas afinidades tem com o Brasil, e onde minha língua materna quase não me servia pra nada. <br />
<br />
Depois veio a parceria com outro músico que gosto muito, por tudo que ele tem de introspectivo, de  inclinação existencial: Fred Martins. Pra ele escrevi “Canção Antes da Chuva”, que ainda está inédita em disco, mas que nos promete grande felicidade.<br />
 <br />
"To Mingle and Mine" traz oito letras minhas escritas para Daniel Tochtermann. Tenho um tremendo orgulho do que fiz com esse cara, mas vai ver é a acetona de minha mãe que me sobe às ideias, e aquele brado do meu velho insurrecto, xingando os jurados comprometidos. Não sei o que seria de mim, não fosse essa rejeição deles à minha letra.
Felipe Tadeu
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